segunda-feira, 28 de julho de 2008


[abrolhos]
.
se um dia
eu pudesse saber,
exatamente o que está
dentro do teu pensamento,
eu pensaria, definitivamente,
em te trazer para perto, mais perto do que nunca esteve.
.
pois, poder, eu tenho.
eu tenho a força necessária.
mas, mexer com o mundo, alterar as
coisas e as formas naturais,
por um amor de papel...
...não, no papel o amor é
unidimensional,
retilíneo.
.
se eu pudesse construir uma abadia
em teu nome,
se eu pudesse defazer todas as mentiras
de laços vermelhos, olhos negros.
.
eu posso.
mas eu não devo, eu não vou.
.
vou mesmo
é abrir os olhos,
e fazer sumir este astigmatismo que não sabe
ver dobrado,
desmanchar esta hipermetropia de te ver
nítida e sem imagem.
.
agora está mais escuro e
eu vejo melhor.
.
estamos no meio da madrugada
e o sol arde nas tuas maçãs,
aí, noutro lado do mundo,
noutra vida qualquer.
.
vou abrir os meus olhos,
e fechar o coração:
até que a verdade surja,
lânguida,
através desta nova porta.
.
até que a visão se fixe no
ponto da tua pupila.
na íris cristalina.
.
você e a minha retina...
...

terça-feira, 22 de julho de 2008

escolhas versus chances

(Imagem por Janaina Fainer)



tem a placa, à frente, a frente tem uma

nova placa, um sinal idêntico,

a não ser pelo tempo...


há mais um signo para o teu apreço.

mais uma palavra, adereço.

eu escolho por onde seguir,

dentre estes caminhos que,

sem eu querer, vieram a surgir.


dou-me entregue aos caprichos da vida,

entregue e consciente da verdade conferida:

não somos barcos à deriva,

mas somos capitães imensamente ignorantes

no ato da chegada, muito mais desde


a partida.


Menor o erro, se eu escolho

a vida.


quarta-feira, 16 de julho de 2008


[this is a broken message]
nas vezes em que teus olhos disseram coisas de outras galáxias, eu ainda estava perambulando por aqui; eu ainda sabia o que não fazer para não sentir.
poucas luzes extremamente bilhosas,
poucos litros de sangue arterial.
mas era a veia, querida.
oi, querida!
como vai?
ainda muito frio em zeta retículi?
ainda pânico em andrômeda?
a interceptar ondas magnéticas provindas dos confins,
a interpelar os pedestres desavisados de dentro de mim.
eu queria um e.t. para me entender.
ou uma lanterna para escrever...

domingo, 6 de julho de 2008

sunday

nada se compara a um dia de sol.
simples.
dia de sol, e só.

estrada, vento, luz, paisagem.
paisagem, lembrança, amor, saudades.

saudades, rosto, voz, noite.
noite, esquece: o dia é de sol.

é domingo e eu não sei para onde ir,
é domingo e eu não quero saber para onde ir.
quero
apenas
ir.

desabafo, curva fechada, cachorro na pista!

foge!, foge!, da saudade canina que você me traz.

dia de sol e
nada mais.

dia de sol, faxina nos sentidos.

é!
meia vida no espelho retrovisor,
meia hora para respirar outra vez...