sábado, 21 de junho de 2008

June´s Songs

o silêncio é a minha obra.
a minha quietude, o meu abrigo.

não à tristeza que já sinto.

não aos milhares de sujeitos indeterminados.

as minhas canções, muitas vezes,
dizem por mim.

eu só quero um pedaço minúsculo do paraíso.
só isso.

eu só quero algo entre o máximo possível e
o mínimo necessário.

terça-feira, 17 de junho de 2008

bir'd th day

canelas cristalizadas,
quem diria, um dia,
ainda que rimas pobres, ainda que frio e vinho,
quem pensaria em algo melhor do que estar
bem, de bem, consigo?

quem dira, amigo,
uma ida, um dia, a volta inteira
sem ninguém que me reserve...

olha, Deus.
olha, que eu te Amo.

Amo todos que reservam um segundo para
me desejar bom agouro.

neste dia mágico,
nesta nova vida,
eu agradeço e me calo.

me calo de poemas inteiros.

calo-me no colo dos Meus.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

dream is over (there)

As fontes, os sulcos da minha pele,
Os fósseis no carbono da minha mente,
Os vinte anos passados, futuras gerações,
Os desfiladeiros nas paisagens indestrutíveis,
As lembranças.

O sonho não acaba
Apenas por acordarmos.

O sono não é mais do que um
Ensaio de morte.

As músicas nos dopam e
Nos sentimos bem.

A vida é tão dura, às vezes,
Que o céu é cetim.

O sonho não acabou.
Está em suspensão.

sábado, 14 de junho de 2008

Impermeável

Chove há quize anos,
E não me molho.

Este líquido prateado
que cai sem cessar,
Estes parágrafos quilométricos
que montam uma estrada de mim, até eu mesmo.

Peito de areia seca.
Olhos de muito orvalho.
Pés soltos,
Pensamento a dez mil pés.

O bom da chuva é quando ela dura
Um tempo, depois pára, depois sai
Aquele sol úmido e morno.

O bom é quando o coração encontra a
Água boa de um outro.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Save The Arrows, Cupid!




Descobri algo sobre os Cupidos.
Eles não são vesgos, como a maioria acredita.
Eles não são maus.
Eles, na verdade, não existem.

Existe, sim, a flecha.

Existe a pontaria que alguém
Exerce sobre o coração do outro.

Às vezes eu vejo as asinhas deles...

...ah!
Era apenas um pássaro.

***

Vocês todos sabem que o amor é algo
indefinível.
Entretanto, há incontáveis definições para o amor.

Há pessoas que vivem de desmitificar o amor.
Há pessoas que morrem de mistificar o amor.

***

Agora, meu amor,
Eu não te procuro mais.

Amor não se acha.
Não se encontra na esquina, não.

Amor é algo como um dia.
Único.
Mortal.

Amor e reciprocidade nunca se deram bem.

Topada,
Será a minha filosofia para o amor.

Quando tudo se topar,
Quando as músicas coincidirem,
Quando os lábios, naturalmente, unirem-se.

Quanto às flechas,
Cupidos,
Por favor...

Guardem-as para as Olimpíadas Celestiais...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Azul e Branco

Nos teus negros olhos, há uma neblina.
Não é obscuridade, não é falta de algo.

Mistério, suaves nuanças, matizes completos,
Lugares intocados, matérias indizíveis.

Eu vejo os teus olhos,
Sem conhecer o teu rosto.

O meu amor está aqui, mutante,
Incessante, naturalmente incoerente.

Esteve sempre comigo.

Nunca foi aceito,
Tampouco dado.

Espero que, quando o teu sorriso
For avistado por estas bandas,
Eu veja o céu azul que a ti prometi,
Eu tenha a pele alva que busco em ti.

Espero que, como eu,
Tu não tenhas que me conhecer.

Apenas reconhecer...

Velvet

A pele desliza entre as moléculas
Da minha aura, entre
As pílulas das minhas vertigens.

A tua língua esfria, num calor indizível,
Os meus medos solvidos.

Nos meus dedos, sorvidos, úmidos,
As palavras nada dizem além das tuas visagens...

Aquele vestido de veludo,
Veste a tua tez, ainda que nenhum
Tecido haja em ti.

Ora, tal sentido, tamanho desmedido desejo
Não se exala, assim, de pronto.

Apenas este murmúrio entrelaçado
Em nossas pernas pode,
Decididamente,
Explorar os confins do que é mais próximo,
E íntimo.

Pois em você, meu amor,
Eu nunca pude crer.

Por favor, por favor...
Levante o veludo,
Descerre o tecido,
Por favor!

Solo drunk,
Miles além.

Nada olvida a mentira,
Ninguém dá vantagens à verdade.