quarta-feira, 6 de agosto de 2008


finja que não foi.

até o próximo nascer do dia,
pretenda que não era.

às vezes,
eu penso que teria sido muito bom,
não ter sido inoculado por este microorganismo.

por essa distorção nas paisagens.

queimo o sol, com a letra.
queimo a língua, com os pensamentos.


finjamos, nós, que não viemos, ou
que não saibamos, que não conheçamo-nos,
poesia.

deixa o sol fazer o que sempre fez.

deixa...

sábado, 2 de agosto de 2008

Spiral


daqui de cima eu vejo
que, na tua régua limpa,
nada é lampejo.
*
tu medes os riscos,
encrava-me a unha injusta,
para depois observar discos
voadores, solos de violão no espelho.
*
sabia que eu sabia que não era?
sabia que o saber não é perene?
morre a civilização, enterra a pena,
e num mísero segundo, te prendo em cena.
*
encaracolado é o meu pesar.
só não sei se eu subo a pensar,
ou desço a dançar,
neste baile frouxo de te buscar.