segunda-feira, 31 de maio de 2010

árctico


o degelo é alucinógeno,
mas molha os pés.

eu pensava, eu via,
jamais entendia.

quando é que somos reais?
quando é que realmente somos?

eu penso que, talvez,
seja mesmo melhor acreditar nos contos.
jamais, em fadas.

pólo-sul.
nada mais aconchegante.
nada mais, acolhedor.
o dia dura meio ano,
a noite vai meses afora.

que vontade de ir
embora.

sábado, 29 de maio de 2010

Absoluto

Unir os pedaços,
Cola, traços, limpeza.

Cadastros, Iluminações, Varais de poemas,
Sobrevoo o ilustre, abandono o tardio.

Novamente colado, amalgamado,
mal amado.

Sóis de todos os cantos,
Vem ao encontro do término e do sânscrito.
Solas de todas as estradas,
Riachos, quedas d'água.

Parada solitária,
D'alma sem mágica.

Outra vez:
                  errante no espaço,
Sideral Lar,
De mim, um
Pedaço.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

No Picture

Os pés vão até certo ponto.
Além daí, devemos seguir sem pegadas.
Não levo fotografias,
Não ostento canções.
Não solfejo elogios, a ninguém.

São tantos dias.
Já são horas,
Não há tempo, não vem hoje.

***

Sete e meia, o trabalho.
Meio-dia, o encontro.
Seis horas, a rua ferve.
Meia-noite, o norte se ergue.


***

Apenas letras, sem imagem.
Apenas sons de teclas, de um piano binário.
Branco planetário ao redor dos olhos.

Voltei à casa, donde nunca houvera saído, ou entrado.

*